Portadores
de deficiência visual lutam pela integração na sociedade
A
Associação dos Deficientes Visuais de Guarulhos (Adevig)
é uma organização não governamental fundada em 1999 que
apóia e defende os direitos dos portadores de deficiência
visual em Guarulhos. Apesar do seu pouco tempo de existência,
a entidade já é uma referência nacional no movimento de
defesa dos direitos dos deficientes. Um dos principais
objetivos da Adevig é a inserção do deficiente visual
no mercado de trabalho e a conscientização da sociedade
para o apoio ao portador de deficiência. Para falar mais
no trabalho da Adevig, Informequim entrevistou
o seu presidente, Aparecido Izidoro (ao centro na foto
de parte da diretoria da Adevig abaixo).
Informequim
- Você poderia falar mais da entidade, como ela foi organizada,
quais os seus trabalhos.
Aparecido Izidoro - Nós temos a entidade há três
anos, criamos esta entidade para criarmos uma coisa de
apoio ao deficiente visual em Guarulhos. Lutar pelos direitos
da pessoa portadora de deficiência, e esta iniciativa
partiu dos próprios deficientes que criaram esta entidade
há três anos. Há um ano e meio estamos com esta sede provisória,
doada pela prefeitura e vemos desenvolvendo alguns trabalhos
dentro da entidade, como aula de braille, com a professora
Ana Paula; aula de violão que é dada pelo João, tem um
rapaz que dá aula de teclado, o Ed, e o futebol onde a
gente congrega vários esportes adaptados para deficientes
visuais e a gente está entrando agora para os Jogos Olímpicos.
A gente faz estas atividades em Guarulhos.
Informequim
- Como vocês sustentam este trabalho?
Izidoro - Tudo isto que a gente está fazendo é com
uma garra terrível, porque a gente não tem nenhum subsídio
do governo e a gente trabalha com doações de alimentação
e outros apoios. Prestamos um serviço para o jornal Olho
Vivo, as terças, quintas e sábados, nós encartamos o jornal
para eles. A renda deste serviço é para o deficiente,
não vem para a entidade, é uma renda. A gente ainda pretende
colocar aqui curso de computação, se alguma empresa abraçar
este projeto a gente está aberto. A informática é um advento
que veio para beneficiar o deficiente, como você está
vendo o computador fala com a gente, através de software
de comandos de voz, a gente pode acessar a Internet, pode
digitar texto, consegue fazer tudo no computador, o deficiente
pode trabalhar com telemarketing, a gente pretende fazer
curso de telemarketing aqui e desenvolver o potencial
do deficiente. Inclusive eu mandei o meu computador consertar
com um técnico que também é deficiente, desta forma, a
gente ajuda uns aos outros para sobrevivermos.
Informequim - Vocês recebem muitas doações, apoios
das pessoas?
Izidoro - Nós aqui precisamos de doações, de apoio
da sociedade civil para que nossos projetos continuem.
A Pfizer, de três em três meses, vai fazer doação de alimentos.
Aqui, temos uma média de 20 pessoas que, diariamente,
tomam café, almoçam e tomam o lanche da tarde, são os
usuários da entidade. Nós temos um cadastramento de quase
200 pessoas cadastrados e 80 usuários, entre os participantes
dos cursos, freqüentadores, atletas. Aos sábados, vem
mais gente, chegam 50, 60 pessoas.
Informequim
- Qual é a repercussão do trabalho da Adevig? E o que
vocês têm conseguido?
Izidoro - A gente faz um trabalho muito sério, tanto
é que no pouco tempo que existimos, nossa entidade já
é uma referência nacional. Nós fazemos parte do Conselho
Municipal dos Portadores de Deficiência, que fica aqui
ao lado. Este trabalho que vem sendo desenvolvido, a gente
vem fazendo para ter uma continuidade. Mas a gente precisa
de doações, este trabalho está sendo muito bom. O nosso
intuito é colocar o deficiente visual no mercado de trabalho,
as empresas tem que ter 5% das suas vagas para portadores
de deficiência. Acontece que a empresa computa nesta percentagem
trabalhadores que perderam um dedo, tem um quadro de pressão
alta, eles colocam estas pessoas como portadores de deficiência.
Eu acho que o brasileiro ainda não se conscientizou da
necessidade de integração do deficiente, eles nos enxergam
como pessoas incapazes. Por que as pessoas ditas normais
- porque eu acho que ninguém é normal - não atentou para
a causa do deficiente porque não faz parte do mundo dele,
só quando a pessoa passa a conviver ou se torna deficiente
é que vai fazer parte deste mundo. Eu, por exemplo, sou
cego há seis anos e não me lembro antes disto de ter ajudado
uma pessoa deficiente atravessar a rua. (risos). Porque
não fazia parte do meu mundo, muita gente tem boa vontade
em nos ajudar mas nem sabe como, a gente não pode culpar
as pessoas, é um problema de falta de conhecimento. Informequim
-
Para finalizar, qual é a mensagem que a Adevig dá para
os trabalhadores químicos e a sociedade em geral?
Izidoro - Se os químicos puderem fazer uma campanha,
tipo doe R$1,00 ou R$0,50, poderia ajudar muito a gente.
Nós estamos precisando também de uma impressora de computador
que imprima em braille, ela é muito cara, e se uma ou
mais empresas puderem colaborar para que tenhamos este
equipamento, ajudaria muito a gente, nos nossos cursos
e no nosso trabalho na Adevig.
Você
pode colaborar com a ADEVIG
Depositanto qualquer quantia diretamente na conta
corrente da Adevig,
Nossa Caixa-Nosso Banco, conta nº 04-001741-1,
agência 315-8 (Guarulhos). |
Caso
você deseje colaborar ou conhecer melhor o trabalho
da Adevig, faça uma visita, a Associação de Deficientes
Visuais de Guarulhos fica localizada na Rua Antonio
de Camargo, 226 - Vila São Jorge - Guarulhos - SP
- CEP.: 07114-360 - Fone 6447-1229.
“Os gestos de bondade serão vistos pelo Criador
do Universo” |
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