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Palavra do Presidente

Momento positivo do setor químico pode assegurar ganhos para a categoria

O momento econômico do país nos aponta para o crescimento contínuo. Produzimos mais e consumimos em igual quantidade. A situação do mercado vem apresentando estimativas positivas. Enquanto o mundo vive uma situação de desemprego, nós conseguimos, só no primeiro semestre criar mais de 1,4 milhão de empregos com carteira assinada, segundo estimativas do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados – Caged. A conquista da estabilidade monetária no Brasil, após décadas de inflação galopante, trouxe benefícios significativos para uma grande parte dos brasileiros, especialmente os que recebem rendas fixas, como salários, e, em especial, os que recebem salários mais baixos. Por essa razão, não se pode descuidar da conduta das políticas macroeconômicas, particularmente as decisões nas áreas de políticas monetária, fiscal e cambial.

E para tanto peço maior atenção da parte do governo para a política adotada pelo Copom que através do aumento da taxa selic, impacta investimentos e cria uma política contrária ao desenvolvimento do país. O governo precisa manter uma política de contenção a esta taxa de juros que só serve para onerar as taxas do cartão de crédito, empréstimos pessoais, gerando assim empecilhos ao poder de compra e negociação do brasileiro. Portanto é mentirosa a afirmação de que a aumento da taxa de juros beneficiará o mercado e promoverá as transações, quando na verdade, serve para emperrar o crescimento e desenvolvimento de nosso país.

Já o setor químico vive um cenário favorável, que tem se consolidado nos últimos anos, com a crescente movimentação no mercado, com trabalhadores com oportunidade de melhores condições de trabalho e benefícios e em busca de reconhecimento profissional. O fortalecimento do setor pode ser conferido por dados do Dieese para o segundo semestre de 2010 que aponta que a produção de produtos químicos acumulou um crescimento de 12,01% em relação ao mesmo período do ano anterior e de 11,01% nos últimos 12 meses (até junho) em relação aos 12 meses anteriores. Em junho de 2010 em relação à junho de 2009, o crescimento da produção foi de 2,51%.

As variações mensais em % da produção em 2010 seguem um movimento muito parecido ao ano de 2007, quando as consequências da crise ainda não haviam refletido no Brasil.

A produção física da Indústria Química cresceu 17% no período de janeiro a maio de 2010 em relação ao mesmo período de 2009.

Esta confiança no setor nos leva, como representante da categoria a chegar a uma rodada de negociação ciente de que a pré-pauta foi construída de forma a atender aos anseios dos trabalhadores.

E esta indicação veio através da constatação de que o movimento sindical brasileiro agiu de forma transparente assegurando a recuperação salarial através da Convenção Coletiva de Trabalho, o que ajudou não só os trabalhadores, mas a sociedade como um todo. Além da recuperação do aumento real no salário, as conquistas sociais e, principalmente, as econômicas, com os acordos de Participação nos Lucros e/ou Resultados, entre outros benefícios tiveram efetiva participação neste cenário de crescimento. E este ano não será diferente. A campanha salarial visa a luta pela manutenção de uma política de salários acima da inflação, além de outros itens das cláusulas econômicas. O cenário dos últimos 10 anos nos leva a uma grande campanha salarial e estamos preparados para uma negociação justa junto à bancada econômica.

Lembramos que você trabalhador tem como representante a Federação das Indústrias Químicas do Estado de São Paulo – Fequimfar, entidade filiada a Força Sindical, mas que a Convenção é parte integrante da categoria também representada por outras sindicais, e que este processo de negociação requer muita mobilização e unidade para que os interesses dos trabalhadores sejam assegurados e acima de tudo, respeitados. A hora agora é da mobilização e, é esta unidade de pensamento e ideias, movidas pela certeza de que a pauta contempla a todos os trabalhadores de forma assertiva e, para tanto, peço à sua força junto ao nosso Sindicato e a nossa luta.

Assim como aconteceu em outras campanhas, é pela negociação que iremos buscar o que é de direito. A categoria e lideranças sindicais estão mobilizadas, mas se necessário for, não descartamos uma paralisação em nível estadual. Caso contrário, a negativa da bancada econômica será fruto da vontade em não querer compartilhar com o trabalhador o valor que este tem na construção dos bons resultados alcançados nos últimos anos.

Juntos podemos muito mais.

Antonio Silvan Oliveira, presidente do Sindiquímicos e CNTQ (Confederação Nacional dos Trabalhadores no Ramo Químico) e secretário Nacional do Meio Ambiente e Ecologia da Força Sindical.

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