Órgão oficial do STI Químicas, Farmacêuticas, Abrasivos, Material Plástico, Tintas e Vernizes de Guarulhos, Mairiporã, Caieiras, Franco da Rocha e Francisco Morato - Filiado à central FORÇA SINDICAL - Rua Francisco Paula Santana, 119 - Tel. 209-7800 - Macedo CEP: 07112-020 - Guarulhos (SP) - Dir. Resp.: Antonio Silvan Oliveira - Jorn. Resp.: Dennis de Oliveira (Mtb.18.447-SP)

População exige: basta de violência!

O assassinato do prefeito de Santo André e o resgaste cinematográfico de presos no presídio de “segurança máxima” de Guarulhos são os mais recentes fatos que mostram o descontrole da violência.

A população brasileira está estarrecida com a escalada de violência no país, particularmente no estado de São Paulo. Neste mês de janeiro, três fatos tiveram grande repercussão na mídia. O primeiro foi o sequestro e o assassinato de uma mulher em Campinas - os sequestradores mataram a mulher, em frente a casa dela porque a família não tinha o dinheiro pedido pelos bandidos. Depois disto, o resgate cinematográfico, usando um helicóptero (!), de detentos em um presídio de “segurança máxima” em Guarulhos. E, finalmente, o seqüestro e o assassinato, com direito a tortura e tudo, do prefeito de Santo André, Celso Daniel.

O que chama a atenção em todos estes casos é que a ousadia e a sensação de impunidade dos que praticam tais atos é tamanha que leva a crer que a sensação de impunidade chegou ao seu ápice - e junto com ela a banalização da vida das pessoas.

Como em todo o momento que o tema ganha repercussão nos meios de comunicação, o governo lança seus “pacotes ou planos de segurança pública”. Infelizmente, embora algumas medidas sejam até necessárias, o debate se centra nas conseqüências e não nas causas. É isto que a diretoria do Sindicato dos Químicos de Guarulhos e a Força Sindical Guarulhos têm insistido: a violência é conseqüência de uma política econômica e social desastrada do governo e da impunidade reinante no país e é necessário mudar isto para que o problema possa ser sanado.

Polícia sucateada
A investigação de todos estes crimes está demonstrando as dificuldades que a polícia tem para fazer o seu trabalho. Há ausência de mais pessoal técnico, de recursos para condução das investigações, de um serviço de inteligência eficaz que consiga desmontar as quadrilhas do crime organizado, entre outras coisas. Sem contar nos baixos salários que são um fator desestimulante para qualquer trabalhador.

Além da polícia judiciária, a polícia militar que cuida do trabalho ostensivo também sofre com as péssimas condições de trabalho. Além dos baixos salários, faltam viaturas, delegacias equipadas, material de apoio, sem contar que existe um contingente de mais de 12.000 policiais que estão cumprindo trabalhos burocráticos, reduzindo o já pequeno efetivo que está nas ruas.

Com a miséria, crime torna-se opção
O que está acontecendo em muitos bairros pobres é que o crime está se tornando em uma opção de “emprego” para muitos jovens. Com o desemprego se alastrando, a miséria aumentando, entre outras coisas, os adolescentes e os jovens, que ficam nas ruas em virtude de não haver outros programas que ocupem o seu tempo (como esportes, cultura, apoio à escola, entre outros) resolvem ganhar uns trocados prestando “serviços” a grupos criminosos. Começa com simples serviços de envio de mensagens, de “mercadorias” e daí vão galgando degraus até se integrarem totalmente à vida criminosa.

Falta emprego, faltam projetos para a juventude, falta perspectiva de vida, falta aparelhos de segurança eficazes que garantam segurança aos cidadãos. Enfim, faltam governantes competentes e comprometidos com a sociedade para acabar com este surto de violência.
ANO XVI - Nº 68
JAN/FEV DE 2002



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