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informequim jornal dos químicos de Guarulhos e região |
Órgão oficial do STI Químicas, Farmacêuticas, Abrasivos, Material Plástico, Tintas e Vernizes de Guarulhos, Mairiporã, Caieiras, Franco da Rocha e Francisco Morato - Rua Francisco Paula Santana, 119 - Tel. 209-7800 - Guarulhos (SP) Dir. Resp.: Antonio Silvan Oliveira - Jorn. Resp.: Dennis de Oliveira (MTb.18.447-SP) Ano XIV - nº 56 - Junho de 2000 |
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A redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas poderá criar, de imediato, cerca de 1,3 milhão de novas vagas. É a medida de eficácia mais imediata para criar novos postos de trabalho. Por isto, dois deputados ligados ao movimento sindical, Inácio Arruda (PC do B-CE) e Paulo Paim (PT-RS) apresentaram um projeto de emenda constitucional que trata da redução da jornada. Os empresários resistem à idéia. O governo faz de conta que não é com ele. As reduções da jornada de trabalho acompanham a evolução da tecnologia e o aperfeiçoamento dos sistemas produtivos. As indústrias procuram sempre aumentar a produtividade do trabalhador, de forma que consiga produzir o mesmo montante com um número menor de trabalhadores contratados. É uma forma de reduzir custos e manter ou aumentar o faturamento, o que significa mais lucros. Os trabalhadores lutam para que a produtividade seja dividida e a melhor forma é a redução da jornada. E, nisto o Brasil está bem atrasado. Além deste fator, a redução da jornada contribui para a redução de acidentes de trabalho e doenças profissionais, principalmente as LER (Lesões por Esforço Repetitivo). Segundo estudo dos pesquisadores Simone Leandro e Carolina Cíntia Peres, da USP, a jornada de trabalho no Brasil é maior que a do Japão (43 horas semanais), EUA (40), Alemanha (38,5), França (38), Reino Unido (37,5) e Itália (36). Além da jornada ser maior, os baixos salários pagos no Brasil transformaram as horas extras como uma forma de complementação de renda - por esta razão, a jornada legal de 44 horas costuma ser superada. Os empresários, naturalmente, são contra a proposta da redução da jornada sem redução salarial porque isto implicaria em aumentar os seus custos com mão de obra. A idéia de que isto irá “quebrar” as empresas não procede, porque nos últimos dez anos, o setor industrial brasileiro aumentou seu volume de produção e reduziu o número de pessoas contratadas - é a tal da "reestruturação" das unidades produtivas que através de métodos como a qualidade total, a terceirização, a implantação de novas tecnologias, entre outros, permitiu um crescimento grande da produtividade por trabalhador. "Este aumento de produtividade foi totalmente incorporado pelo empresário", reclama o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, em um ato na frente da Fiesp (Federação da Indústria do Estado de São Paulo) no início do mês de junho. "Reduzir a jornada é uma forma de dividir este ganho", completa. Do lado dos empresários, o argumento mais repetido é a "perda da competitividade" dos produtos brasileiros. Segundo este raciocínio, a reestruturação industrial foi motivada pela abertura do mercado nacional às importações e as indústrias brasileiras tiveram que cortar custos para poder ter preços competitivos. Aumentar os custos com folha de pagamento significaria perder esta "compe-titividade" nos preços que eles apregoam. O presidente da Associação dos Empresários de Cumbica (Asec), Wilson Arambul, declarou ao jornal Folha Metropolitana que a redução da jornada vai fazer com que o valor final dos produtos aumente, prejudicando a produção do PIB e o crescimento da economia nacional.] O raciocínio do presidente da Asec demonstra que os empresários não admitem reduzir seus ganhos. De fato, reduzir a jornada sem reduzir os salários, significa aumentar os custos das empresas. Porém, os dados mostram que os empresários ganharam muito com o aumento da produtividade nos últimos anos e não repassaram nada para os trabalhadores. O que se quer agora é uma redis-tribuição da produtividade e a maneira mais justa é reduzir a jornada e contratar mais trabalhadores. Uma outra questão importante é com as horas extras. De nada adianta reduzir a jornada se os empresários continuarem abusando do expediente das horas extras. Segundo dados do Dieese, a cidade onde há maior número de horas extras prestadas é Salvador. E, não por coincidência, é justamente lá que se encontram as mais altas taxas de desemprego. A redução da jornada de trabalho é uma bandeira que uniu o movimento sindical brasileiro. As principais centrais sindicais - Força Sindical, CUT e CGT - estão organizando manifestações em defesa da jornada de 40 horas semanais. O Sindicato dos Químicos está participando destas manifestações e também negociando com as empresas da base a redução. Já há várias empresas que têm jornadas inferiores a 44 horas (de 42, 41 e até de 40) e espera-se que esta ação se dissemine por toda a categoria. Porém, o governo tem que fazer a sua parte. Em um momento em que se discute o combate à violência nas cidades e é quase unânime que uma das causas do aumento da violência é o desemprego, medidas de redução do desemprego ganham importância não só para os trabalhadores mas para toda a sociedade. O presidente Fernando Henrique elogiou a redução da jornada na França quando esteve recentemente naquele país. Porém, espera-se do presidente não apenas discursos, mas medidas concretas para que isto se concretize no Brasil. |
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