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Órgão
oficial do STI Químicas, Farmacêuticas, Abrasivos,
Material Plástico, Tintas e Vernizes de Guarulhos,
Mairiporã, Caieiras, Franco da Rocha e Francisco
Morato - Filiado à central FORÇA
SINDICAL - Rua Francisco Paula Santana,
119 - Tel. 209-7800 - Macedo CEP: 07112-020 -
Guarulhos (SP) - Dir. Resp.: Antonio Silvan Oliveira
- Jorn. Resp.: Dennis de Oliveira (Mtb.18.447-SP)
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Desequilíbrio:
loucura ou emoção?
O
metalúrgico Tarciso Marta passou mais de 20 anos de sua
vida cuidando de sua esposa, vítima de desequilíbrios
emocionais e taxada como “louca” por todos os médicos
que passou. A sua luta serviu para desvendar as dificuldades
que as pessoas que dependem do sistema público de saúde
têm para tratar seriamente este problema.
O metalúrgico Tarciso Marta lança, no dia 14 de dezembro
próximo, às 20h, na Biblioteca Municipal de Guarulhos,
o seu livro intitulado Desequilíbrio: loucura ou emoção,
publicado pela Paulo Comunicações e Artes Gráficas. A
obra é um testemunho emocionante sobre a sua vida marcada
por mais de 20 anos ao lado da esposa, vítima de desequilíbrios
emocionais. Tarciso faz uma crítica feroz ao sistema público
de saúde, particularmente na área de saúde mental, onde
ainda prevalece a idéia de taxar todas as pessoas como
“loucas”, de tratar somente com medicamentos e internações
em manicômios onde ainda imperam os castigos, os eletrochoques
e outras violências.
“Minha esposa começou a ter desequilíbrios em 1961, quando
tinha 15 anos. Ela sofreu muita violência dos irmãos e
isto causou traumas profundos no seu inconsciente. Tinha
quatro irmãos que constantemente a espancavam. Quando
foi internada pela primeira vez, o médico achou que os
seus desequilíbrios eram fruto de problemas orgânicos,
da puberdade, da adolescência”, conta Tarciso. “Assim
que ela melhorava, os irmãos voltavam a agredi-la e o
problema retornava”.
Segundo Tarciso, a coisa piorou quando ela foi internada
em Franco da Rocha. “Aí a coisa degringolou: tomou eletrochoques,
castigos, foi tratada como louca e ela não era”. Tarciso
conta ainda que alguns evangélicos achavam que ela estava
“possuída”. E, assim, com diagnósticos incorretos, ninguém
atacava o problema central dela que era, de fato, os traumas
de infância que ficaram represados no seu subconsciente.
Tarciso conta que os médicos limitavam a receitar medicamentos
que somente minoravam o problema. Diante disto, ele resolveu
encarar a parada. E a luta foi difícil. “Não podíamos
parar numa casa, ficávamos no máximo três meses, pois
ela começava a ter visões, cometeu várias tentativas de
suicídio e outros problemas”. No ano de 1982, Tarciso
conheceu uma Clínica Psicossomática e resolveu aderir
à idéia. Fez alguns cursos, leu vários livros sobre o
tema para inteirar-se do assunto. E também resolveu encarar
os médicos. “Médicos diziam que o problema era hereditário.
Aí eu questionava - se era hereditário, como os meus dois
filhos não tinham problemas?”.
Esta peregrinação de Tarciso serviu para que ele conhecesse
a face real da psiquiatria no país. “A esmagadora maioria
dos que estão internados não são loucos, são pessoas que
sofrem desequilíbrios por fatores emocionais, o que exigiria
um trabalho individualizado, interdisciplinar, terapia
e tudo mais. Mas é muito mais rentável para os hospitais
que recebem verbas do SUS internarem todos e enfiarem
medicamentos produzidos pelas multinacionais do ramo farmacêutico”,
conta.
Tarciso conta que conheceu casos bem mais graves que o
da sua esposa e que foram solucionados com um tratamento
adequado. “Eu questiono se os psiquiatras estão de fato
comprometidos com a cura do paciente. Mandei até uma carta
para a OAB e outros órgãos sobre isto e minha carta sumiu”.
O livro, segundo Tarciso, foi idéia do Padre Gino que
o visitava sempre para dar um apoio quando morava na Cohab-Itaquera,
na capital. “Escrevi este livro à mão, durante o serviço,
no meio das máquinas, nas madrugadas, sob pressão das
chefias e da empresa que diziam que queriam alguém que
trabalhasse e não um escritor. Minha filha ajudou muito
fazendo a revisão e agora espero que esta obra seja um
alerta para que se reveja a forma como a saúde mental
é tratada no país.”
Desequilíbrio: loucura ou emoção
Autor: TARCISO MARTA
Editora: Paulo Comunicações e Artes Gráficas Preço:
R$15,00
Lançamento dia 14 de dezembro, 20h, na Biblioteca Municipal
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